CURSO FUNDAMENTAL

Turma 2016

A significação do falo
Maria do Rosário Collier do Rêgo Barros
Horário: 19h
Início: 14 de março de 2018

A leitura do texto de Lacan, “A significação do falo” (1958), vai nos permitir situar a diferença entre o significante fálico e a significação fálica e pensar a dimensão própria da função fálica e suas consequências na constituição dos sintomas e na diferença dos sexos, como abordagem da relação do desejo com a demanda.

Tópicos: Função de nó do Complexo de castração; Instalação no sujeito de uma posição inconsciente e identificação com o tipo ideal de seu sexo; Maternidade e paternidade em relação a essa posição inconsciente e a posição sexuada; Feminino e privação.

Bibliografia:
Freud, S. (1923) “A Organização genital infantil”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XIX. Rio de Janeiro: Imago, 1969.
______. (1924) “A dissolução do Complexo de Édipo” In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XIX. Rio de Janeiro: Imago, 1969.
______. (1931) “Sexualidade feminina”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1969.
Lacan, J. (1958) “A Significação do falo”. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998, p. 692.
_____. (1962) “Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina”. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998, p. 734.
Miller, J-A. Lacan Elucidado: Palestras no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p. 76.

 

Fórmulas da Sexuação
Stella Jimenez
Horário: 19h
Início: 21 de março de 2018

Posições subjetivas do todo e do não todo.
Gozo fálico, gozo a mais das mulheres e dos místicos. Gozo da devastação, mais de gozar.
Gozo do sinthoma.
Usaremos exemplos de testemunhos de passe e exemplos clínicos.

Bibliografia:
Lacan, J. (1962) “Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina”. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.
Lacan, J. (1972-73) O seminário, livro 20: mais ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985.
Lacan, J. (1973) “O aturdito”. In: Outros Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2003.
______. (1974-75) O seminário, livro 22: R.S.I. Inédito..
______. (1975-76) O seminário, livro 23: o sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.
Jimenez, S. No cinema com Lacan: o que os filmes nos ensinam sobre os conceitos e a topologia lacaniana. Rio de Janeiro: Ponteio, 2014.

 

 

Turma 2017

Neurose Obsessiva
Romildo do Rêgo Barros
Horário: 19h
Início: 14 de março de 2018

O curso sobre a neurose obsessiva será dividido em oito aulas. Creio que poderemos trabalhar em torno de três eixos:

1. “O Desejo Impossível”
Existe um paradoxo na própria expressão “desejo impossível”, que é como Lacan caracterizou o desejo do obsessivo. Na verdade, se o desejo, na visão popular, aponta para um encontro entre sujeito e objeto, pelo menos potencial, o adjetivo “impossível”, ou adia esse encontro ao infinito – esta é a lógica da procrastinação obsessiva -, ou o nega inteiramente. Vamos expressar isso de uma outra maneira: se o desejo é por estrutura insatisfeito, o obsessivo luta para torná-lo impossível (Lacan, 1968-69, p. 374)¹. O obsessivo é aquele que recobre a insatisfação própria do desejo com a impossibilidade vivida como interdição. O fato da impossibilidade obsessiva ser uma máscara para a insatisfação, que é de estrutura, foi indicado por Freud na famosa observação segundo a qual a obsessão é um dialeto da histeria (Freud, 1909, p. 140).

2. “A Religião Privada”
Para Freud, a religião tem em comum com a neurose obsessiva, basicamente, o uso de rituais. Penso que a nossa discussão será, na verdade, uma tentativa de entender a seguinte frase escrita por Freud em 1907, que aponta para algo bem além da simples semelhança formal entre a religião e a neurose:
“podemos atrever-nos a considerar a neurose obsessiva com o correlato patológico da formação de uma religião, descrevendo a neurose como uma religiosidade individual e a religião como uma neurose obsessiva universal” (Freud, 1907, p. 116).

3. “O tempo”
O tempo de Freud é o futuro anterior, o Nagträlich, que na língua corrente se diz: “terá sido”. A psicanálise se tornou possível a partir do momento em que Freud inventou um tempo novo, para dar conta da maneira pela qual as três dimensões temporais – passado, presente e futuro – se articulam na lógica do sintoma e da fantasia. O tempo lógico de Lacan, ao contrário do que se pensa, não é uma nova contagem do tempo de duração das sessões de psicanálise, mas é o esforço para achar uma lógica para o tempo no inconsciente que, segundo Freud, é atemporal. E, finalmente, o tempo do sujeito obsessivo é fundamentalmente a procrastinação, ou seja, a invenção de um futuro que não deverá chegar nunca.

¹ Na mesma passagem, Lacan diz que “ela (a histérica) só consegue se identificar com a mulher ao preço de um desejo insatisfeito”.

Bibliografia
Rêgo Barros, R. Compulsões e Obsessões: Uma neurose de futuro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.
Lacan, J. (1968-69) O Seminário, Livro 16: de um Outro ao outro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.
Freud, S. (1907) “Atos obsessivos e práticas religiosas”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. IX. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
______. (1909) “Notas sobre um caso de neurose obessiva”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. X. Rio de Janeiro: Imago, 1976.

 

O Homem dos Ratos
Andréa Reis dos Santos
Horário: 19h
Início: 21 de março de 2018

O objetivo deste curso é a leitura detalhada do texto de Freud, “Notas sobre um caso de neurose obsessiva” (1909). Vamos acompanhar passo a passo as anotações de Freud sobre esse caso, que ficou conhecido como Homem dos Ratos, para extrair do texto freudiano a especificidade da solução obsessiva e o que esse caso nos ensina sobre alguns dos conceitos fundamentais da psicanálise: inconsciente, sintoma, transferência e pulsão.

Bibliografia:
Freud, S. (1909) “Notas sobre um caso de neurose obessiva”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. X. Rio de Janeiro: Imago, 1977.

 

Turma 2018

O imaginário e a constituição do sujeito
Márcia Zucchi
Horário: 19h
Início: 14 de março de 2018

Nesse curso, pretendemos abordar a função da imagem corporal e do imaginário em sua articulação aos dois outros registros (o simbólico e o real), na constituição do eu, do sujeito, do objeto e do Outro. Tomaremos como texto de base o escrito de Lacan, “O Estádio do espelho como formador da função do Eu” (1949). Acompanharemos as transformações do esquema ótico do qual Lacan se serve para transmitir sua concepção do imaginário entre os seus seminários 1 e 10. Tais transformações apontam tanto à importância do simbólico na construção da imagem, quanto do furo real nessa imagem - elementos necessários ao estabelecimento do circuito pulsional e à constituição da matriz das identificações. Trataremos ainda dos transtornos da imagem que a clínica psicanalítica acolhe com frequência na atualidade.

Bibliografia
Lacan, J. (1949) “O estádio do espelho como formador da função do eu”. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1989.
_____. (1953-54) O Seminário, Livro 1: os escritos técnicos de Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1983.
_____. (1962-63) O Seminário, Livro 10: a angústia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.

Bibliografia complementar
Brousse, M-H. “Corpos lacanianos: novidades lacanianas sobre o Estádio do espelho”. In: Opção Lacaniana online n. 15. São Paulo: EBP. Novembro de 2014.
Miller, J.-A. “Introdução à leitura e referências do Seminário 10”. Parte 3 - Aparições, perturbações e separações. In. Opção lacaniana n. 43. São Paulo: Editora Eolia. Maio de 2005.
Zucchi, M. “Notas sobre ‘O estadio do espelho como Formador da Função do Eu’”. In: Latusa n. 19. Rio de Janeiro: Contra Capa. Agosto de 2014.

 

O caso Dora
Sarita Gelbert
Horário: 19h
Início: 21 de março de 2018

O que pode nos ensinar o caso Dora?
Uma adolescente atendida por Freud, no início de suas descobertas, e que é claramente atravessada pelas perguntas inaugurais da psicanálise: O que é um pai? O que quer uma mulher?
A leitura cuidadosa do caso nos oferece a possibilidade de acompanhar a direção do tratamento e os meandros da transferência.
Dora nos coloca diante da possibilidade de estudar a estrutura do sujeito histérico, sua relação com o corpo imaginário, simbólico e pulsional. Com ela, aprendemos sobre o desejo, elucidando-nos como o desejo é o desejo do Outro.
Avançar na leitura do caso clínico possibilita-nos estudar a relação entre histeria e feminino e, consequentemente, a lógica fálica e do para-além dessa lógica. Importante sublinhar a pergunta que acompanha Dora sobre a Outra, sobre como é ser mulher.

Bibliografia:
Freud, S. (1905) “Fragmento da análise de um caso de histeria”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. VII. Rio de Janeiro: Imago, 2006.