CURSOS LIVRES

Psicopatologia Lacaniana
Coordenação: Andrea Vilanova e Adriano Aguiar
Horário: 21h
Início: 18 de abril de 2018
Término: 11 de julho de 2018
Fequência: quinzenal
Local: Sede da Seção Rio: Rua Capistrano de Abreu, 14 – Botafogo.
Inscrição: Secretaria do ICP-RJ tel: 2286-7993

Pretendemos transmitir uma leitura da psicopatologia clínica a partir de três perspectivas: epistemológica, semiológica e diagnóstica. Tomando como eixo de orientação o livro Psicopatologia Lacaniana (2017), produzido pelo trabalho coletivo de membros da EBP, o curso tem o objetivo de abordar a psicopatologia - que constitui as bases da psiquiatria e da clínica que é feita nas instituições de saúde mental -, tendo como direção a aposta de que a psicanálise de orientação lacaniana fornece ferramentas conceituais imprescindíveis para a elucidação da lógica subjetiva subjacente à abordagem mais descritiva da psicopatologia tradicional, permitindo fundamentar o fazer clínico nas instituições a partir de uma perspectiva que tome o sintoma como resposta do sujeito e não como mero déficit do organismo.

Aula 1 - O DSM e os diagnósticos psiquiátricos na contemporaneidade
Texto de referência:
Laia, S.; Aguiar, A. “Enigma, objetivação e diluição da loucura”. In: Teixeira, A.; Caldas, H. (orgs). Psicopatologia Lacaniana. Belo Horizonte: Autêntica, 2017, p. 13 – 33.

Aula 2 - Psiquiatria clássica e psicopatologia: de Pinel a Lacan
Texto de referência:
Barreto, F. P.; Iannini, G. “Introdução à psicopatologia lacaniana”. In: Teixeira, A.; Caldas, H. (orgs). Psicopatologia Lacaniana. Belo Horizonte: Autêntica, 2017, p. 35 – 54.

Aula 3 - Psicopatologia, psicanálise e causalidade psíquica: Lacan e Jaspers
Texto de referência:
Leguil, F. “Lacan avec et contre Jaspers”. In: Ornicar, Revue du Champ Freudien, n.48, 1989.

Aula 4 - Percepção e alucinação
Texto de referência:
Teixeira, A.; Santiago, J. “Semiologia da percepção: o enquadre da realidade e o que retorna no real”. In: Teixeira, A.; Caldas, H. (orgs). Psicopatologia Lacaniana. Belo Horizonte: Autêntica, 2017, p. 93-120.

Aula 5 - Pensamento, linguagem e delírio
Texto de referência:
Carvalho, F.; Rêgo Barros, R. “Semiologia do pensamento e da linguagem: do juízo de realidade ao delírio universal”. In: Teixeira, A.; Caldas, H. (orgs). Psicopatologia Lacaniana. Belo Horizonte: Autêntica, 2017, p. 121-144.

Aula 6 - Semiologia lacaniana dos afetos
Texto de referência:
Vieira, M. A.; Bastos, A.; Teixeira, A. “Semiologia da afetividade: o afeto que se encerra na estrutura”. In: Teixeira, A. Caldas, H. (orgs). Psicopatologia Lacaniana. Belo Horizonte: Autêntica, 2017, p. 145-166.

Aula 7 - Discussão de caso clínico


CURSO LIVRE – REGIÃO DOS LAGOS

O que há de novo na clínica das psicoses?
Coordenação:
Vera Avellar Ribeiro e Vicente Machado Gaglianone
Colaboração: Francisca Joana Menta Soares e Mariana Pucci

Datas: 24/03, 28/04, 19/05, 16/06
Horário: mensalmente, aos sábados, de 10h às 12h e de 13h às 15h.
Local: Rua Marechal Floriano, 253 - São Bento, Cabo Frio - RJ, 28906-000.
Inscrição: Secretaria do ICP-RJ telefone: 2286-7993
icprio@icprio.com.br com cópia para cursoregiaodoslagos@gmail.com
Investimento: Valor do investimento: R$ 400,00 ou R$ 60,00 por aula.

No ano de 2018, nossa comunidade trabalhará dois grandes temas que encontram convergência em vários pontos. O Congresso mundial da AMP, em abril deste ano, escolheu como tema As psicoses ordinárias e as outras, sob transferência e, nosso Encontro Brasileiro, em novembro, por sua vez, examinará a clínica contemporânea a partir d’A queda do falocentrismo.
A foraclusão do Nome-do-Pai foi o conceito maior cunhado por Lacan para delimitar um regime de gozo específico, um modo particular de defesa ao fato da castração. Lacan seguiu os passos de Freud, que havia tentado circunscrever esse real através do conceito de Verwerfung, diferentemente da Verdrangung, ou seja, o recalque, defesa típica para o campo da neurose.
Com o apoio da lógica e do estruturalismo, Lacan forjará o conceito do Nome-do-Pai, significante representativo de uma operação lógica - a função paterna, função edificante que viria a organizar a desordem do enigma do desejo materno e instaurar a primazia do falo. Verifica-se que tal conceito se apresenta como um herdeiro da quimera de que a lei paterna seria preponderante e soberana na organização da sexuação do falasser e de seus desígnios psíquicos. Assim se organizou por um século todo um campo de trabalho clínico onde, ou bem se tinha o Nome-do-Pai – o campo da neurose, ou bem não – o campo da psicose. Enfim, a chamada clínica clássica, descontinuista ou, por fim, binária.
Como Jacques-Alain Miller enuncia no Conciliábulo de Angers em 1996, àquela altura, fim do século XX, os analistas já não tinham mais o mesmo conforto em diagnosticar como outrora. Os sujeitos ditos psicóticos que estavam em análise não mais se encaixavam no binarismo clássico. Eram casos “Inclassificáveis”, muito mais pela discrição de seus sintomas do que pela extravagância (delírios, alucinações etc.) dos grandes fenômenos das psicoses desencadeadas. Era preciso então um esforço de investigação a fim de forjar novos paradigmas clínicos que estivessem à altura desse novo real. Com a orientação de Miller – através de sua leitura do último ensino de Lacan, a partir, sobretudo, do paradigma joyceano –, criou-se o sintagma da Psicose Ordinária, como desdobramento imperativo aos impasses que o “Último ensino” exigiu. O que de fundamental se impunha derivava do fato de que o Nome-do-Pai passara a se configurar como apenas mais um, e não o operador, para o gozo próprio aos parlêtres, revelando novas formas de enodamentos dos registros psíquicos sem a norma fálica. Fato este que veio a engendrar um radical corte epistemológico, uma cesura, como diz Miller, no discurso analítico. A “foraclusão generalizada”, os “Nomes-do-pai” e o “Todo mundo é louco, quer dizer delirante”, esses novos “credos” lacanianos passaram a constituir as novas balizas para uma clínica que deveria se constituir como um work in progress, que culmina nesses tempos atuais, onde se pretende recolher as consequências desse trabalho de investigação que já dura vinte anos.
O curso pretende abordar alguns pontos cruciais dessa trajetória dos fundamentos da clínica das psicoses na Orientação Lacaniana, tendo uma “pergunta- chave” como pano de fundo: Qual é a ética do analista na transferência, nessa “nova” clínica? A aposta é de dar continuidade a um espaço de transmissão da psicanálise de Orientação Lacaniana, nesta região, que teve início no ano de 2017, visando, por um lado, a propiciar aos iniciantes uma aproximação dos conceitos cruciais de nossa orientação e, por outro, aos já iniciados, a promover a possibilidade de dar sequência à práxis lacaniana, que enoda teoria e clínica, tanto àqueles que se dedicam ao atendimento em seus consultórios como àqueles que estão inseridos na Saúde Pública e buscam recursos para bem efetuarem este trabalho em rede.

O curso constará de oito aulas, organizadas da seguinte maneira e bibliografia:

24/03
Aula 1: 10h-12h - Os impasses de Freud e a Verwerfung
Freud, S. (1924 [1923]). “Neurose e Psicose”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XIX. Rio de Janeiro: Imago, 2006.
_____, S. (1924). “A perda da realidade na neurose e na psicose”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XIX. Rio de Janeiro: Imago, 2006.

Aula 2: 13h-15h - O caso Schreber
Freud, S. (1911). “Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranoia”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XII. Rio de Janeiro: Imago, 2006.



28/04
Aula 3: 10h-12h - A foraclusão do Nome-do-Pai
Lacan, J. (1955-56) O Seminário, Llivro 3: as psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985.

Aula 4: 13h-15h - O caso Aimée de Lacan
Lacan, J. (1932). Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987.



19/05
Aula 5: 10h-12h - A “questão preliminar” ao tratamento das psicoses
Lacan, J. (1957-58) “De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose”. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.

Aula 6: 13h-15h - Joyce e o Sinthoma
Lacan, J. (1975-76) O Seminário, Livro 23: o sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2007.



16/06
Aula 7: 10h-12h - A “Psicose Ordinária”
Miller, J-A. “Efeito de retorno à psicose ordinária. In: Opção Lacaniana on line, n. 3. São Paulo: Eólia. Novembro de 2010. Disponível em:
http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_3/efeito_do_retorno_psicose_ordinaria.pdf.
Acesso em: 07/02/2018.

Aula 8: 13h-15h - Apresentação e discussão de casos clínicos.




CURSO LIVRE NA BARRA

“As ficções das crianças na atualidade”

Coordenação: Angela Batista, Isabel R.B.Duarte, Priscila Segal.

Datas: 24 de março, 28 de abril, 26 de maio, e 26 de junho de 2018.
Horário: Mensal - Sábado - às 15:00.
Local: Estaço Psi Infantil - Downtown, bloco 22, sala 216.
Inscrição: EBP-RIO, telefone: 2539-0960.
Investimento: 80,00 por aula. Mensal.

As novas configurações familiares nos levam a considerar que os sujeitos estão cada vez menos organizados pelo Édipo, pela significação fálica e pelas narrativas da neurose infantil.
Quem sabe, hoje, o que é criar uma criança?

O curso pretende abordar as ficções familiares a partir das considerações clinicas, na prática com crianças e com os pais. O tema também incluirá a questão da precariedade do laço social na atualidade e as consequências na transmissão do amor e do desejo, assim como as novas organizações da sexualidade, não apenas referidas ao nome do Pai.

Bibliografia
Laurent, Éric. “Las nuevas inscripciones del sufrimentodel niño” – Revista Enlaces, n.12 – ICBA
Laurent, Éric. “El niño como real del delírio” – Revista Psicanalisis com niños, n.4, ” Tramar lo singular “, p. 19.
Esqué, Xavier. “Ficciones Familiaresy real em juego”, Idem, p. 31.
Lacan, J. “A locução sobre as psicoses da criança”, In: Outros Escritos, Rio de Janeiro : Zahaar 2003.